segunda-feira, 30 de maio de 2016

Jacques Tourneur em junho na Cinemateca

Cineclube da Cinemateca: Os filmes de horror de Jacques Tourneur
Famoso por alguns clássicos de terror da década de 1940, realizou obras importantes em diversos outros gêneros, incluindo policiais, noir, aventuras de pirata, melodramas e faroestes. Voltou ao terror em 1958, e seu último filme para o cinema é uma comédia macabra, com um elenco de antigos astros do terror.

* Todos os filmes tem a classificação indicativa 14 anos.

05/06: Sangue de Pantera
 














                              (
Cat People, 1942/EUA – 73 min)
Bela jovem que sofre constantes alucinações com felinos descobre ser descendente de um grupo de mulheres-pantera à beira da extinção. Seu lado monstruoso começa a ficar mais saliente quando entra em contato com fortes emoções, colocando em risco o casamento e a vida das pessoas que a cercam.

12/06: A Morta-Viva





















(I Walked with a Zombie, 1943/EUA – 68 min)
Jovem enfermeira canadense (Betsy) viaja para as Antilhas para cuidar de Jessica, esposa de um importante administrador de plantações (Paul Holland). A mulher parece sofrer de um tipo de paralisia mental provocado por uma febre muito alta. Enquanto cumpre com suas obrigações profissionais, Betsy acaba se apaixonando pelo patrão - e parece ser correspondida. Mas o dilema da enfermeira a leva a participar de uma cerimônia de magia negra com a finalidade de oferecer a Paul aquilo que ela acha que o homem realmente necessita.

19/06: O Homem-Leopardo





















(The Leopard Man, 1943/EUA – 66 min)
Kiki Walker, atriz de um clube noturno, resolve entrar no palco com um leopardo negro, parte de uma jogada publicitária idealizada por Jerry Manning, para impressionar todos os ali presentes. Assustado por sua rival de palco, Clo-Clo, o leopardo escapa da coleira e foge para o centro da cidade, espalhando o pânico e a histeria pelo Novo México.

26/06: A Noite do Demômio






















(Night of the Demon, 1957/EUA – 95 min)

Em Night of the Demon acompanhamos um psiquiatra renomado, Dr. Holden, que se envolve numa trama de assassinato e misticismo colocando em dúvida suas posturas contrárias a superstições, cultos e fenômenos sobrenaturais.

Serviço:
Sessões aos domingos
às 16h 
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA
Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

domingo, 29 de maio de 2016

A MALDIÇÃO DE CIMINO


por Miguel Marías

O Franco Atirador recebeu um punhado de Óscares, teve um enorme êxito de público e, em uma época em que se discutiam essas coisas, suscitou na Europa grandes polêmicas ideológicas. Em 1980, Michael Cimino rodou um ambicioso e anômalo western histórico, O Portal do Paraíso, mas ultrapassou o orçamento previsto e pôs a sua produtora à beira da falência: aqueles que lhe deram carta branca acabaram perdendo seus empregos, e toda a Hollywood, com seu aparato propagandístico, decidiu pulverizá-lo, além de retalhar o filme. Hoje, mesmo que O Portal do Paraíso circule com a sua montagem original restaurada, ainda mais longa e mais complexa, e que muitos de nós a tomemos, junto da anterior, por uma das poucas obras-primas do cinema americano das últimas décadas, isto não serviu para que a carreira de Cimino voltasse à normalidade. Realiza o que pode, quando lhe deixam. Agora nos chega, com meio ano de atraso, sua última obra, Na Trilha do Sol, e apesar de ser a primeira nos últimos seis anos, ninguém deu muita atenção.

Para mim, é o terceiro maior filme de Cimino, mesmo que - ao modo de La buena estrella de Ricardo Franco, com o qual vejo estranhos paralelismos - não seja “a priori” nem promissor nem apreciável; por isso, como não explora a história nem deprecia seus personagens, como não conta com atores famosos (ainda que Woody Harrelson e Jon Seda estejam esplêndidos) nem se dedica a chamar a atenção, ninguém se incomoda em ir vê-lo. A meu ver, perdem um dos filmes do ano, de cujo roteiro deveriam aprender vários desses “jovens gênios” do cinema espanhol, inflados somente de ar, que tentam se impor na base da publicidade à americana. Poucas vezes vi um filme com menos elementos de partida, aos quais o diretor vai-se centrando mais e mais à medida em que avança a ação, despojando-se de todo o excesso, para nos dizer ou sugerir, ao modo de quem não quer nada, um bocado de coisas e desvelando a verdadeira forma de ser dos personagens, que não são aquilo que nos pareciam ser à primeira vista, nem se consideram mutuamente, até ficar tão-somente com o tempo, a paisagem e a emoção. Cimino segue parecendo-me o único herdeiro de Ford deste atual cinema americano. Talvez por isso não lhe queiram.
(23 de junho de 1997. Traduzido por Felipe Medeiros e extraído de http://focorevistadecinema.com.br/FOCO2/marias-maldicao.htm)

sábado, 28 de maio de 2016

Cine FAP: Soldado Universal 3: Regeneração, de John Hyams


O Cine FAP encerra o ciclo BAD SHAKESPEARE com Soldado Universal 3: Regeneração, de John Hyams.

Quando terroristas ameaçam a catástrofe nuclear, a única esperança do mundo é a reativação do Soldado Universal Luc Deveraux (Jean-Claude Van Damme).

Após a sessão, realizamos debate mediado pelos estudantes do cineclube.

Sessão:
Soldado Universal 3: Regeneração (Universal Soldier: Regeneration, EUA, 2009)
dia 30/05 (segunda-feira)
às 19h
no Auditório Antonio Melillo, na FAP - Faculdade de Artes do Paraná
(Rua dos Funcionários, 1357, Cabral)
ENTRADA FRANCA

Realização: Cine FAP
Apoio: Coletivo Atalante e Cazé - Centro Acadêmico Zé do Caixão 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Cineclube da Cinemateca: "Na Trilha do Sol” de Michael Cimino

Neste domingo, dia 29, às 16h, o Cineclube da Cinemateca exibe "Na Trilha do Sol" encerrando o ciclo Michael Cimino. Em junho, estudaremos a obra de Jacques Tourneur. Sempre com entrada franca!

Cineclube da Cinemateca apresenta:
"Na Trilha do Sol” de Michael Cimino
Jovem criminoso que sofre de doença incurável força médico bem-sucedido a levá-lo a um lago nas montanhas, onde acredita estar a cura para o mal que lhe aflige. A jornada revela segredos sobre a personalidade de cada um e suas crenças sobre a vida e a morte.

Serviço:
29 de maio (domingo)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 - 3552
ENTRADA FRANCA
Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

domingo, 22 de maio de 2016

YEAR OF THE DRAGON


por Serge Daney

Houve um caso Cimino, cineasta desmedido, fascinado pelos paradoxos da identidade americana. Há agora um caso Stanley White, polícia puro e duro. Inventando White, Cimino traça com um bulldozer o perfil psicológico do homem instalado no ressentimento.

A ambição de Cimino nunca foi pequena. Dar aos outros e a si próprio o sentimento de tudo começar do zero. Como se o cinema nada tivesse ainda mostrado e como se não se tivesse visto ainda nada. Verdadeira ambição de cineasta. É a ela, a essa mistura de exactidão naturalista e de amplificação delirante, que devemos as imagens da guerra do Vietname em The Deer Hunter, o Oeste revisitado de Heaven's Gate e a Chinatown de Year of the Dragon. A mais de meio século de distância, Cimino reencontra-se com os pioneiros do cinema americano. Os que, de Griffith a Vidor, tiveram como único tema o "nascimento de uma nação", a sua.

Que dizem os pioneiros? Que não se é americano mas que se tornaamericano. Que esta mudança tem de ser merecida e que nem todos têm direito a ela. Tomemos os Negros: Griffith exclui-os e Vidor coloca-os no apartheid de um filme étnico (Hallellujah). Ora há algo de Vidor em Cimino. Como King, a sua vontade de situar sempre as suas personagens em termos de relações de classe, faria dele um cineasta "social", quase marxista, se não existisse um ideal que esbate as lutas de classes e os ódios tribais: o indivíduo-feito-americano. Sem esse ideal, o muito famoso "melting pot" não seria senão uma mentira ou, como Cimino gosta de mostrar, um furioso "fighting pot", um combate.

Pode-se ser um pioneiro do cinema americano em 1985? Na altura em que Michael Cimino começou a fazer filmes, "ser americano" era mal considerado. A derrota do Vietname é também uma derrota do ideal. A trajectória da epopeia "Nascimento de Uma Nação" começou a regredir. Lá onde se deixou de se tornar americano, tornou-se tribal, o "God bless America" do fim de The Deer Hunter tinge-se de desespero. Cimino está pronto a trabalhar num "Renascimento de uma nação". Mas quem serão os excluídos desta vez?

Cimino fala muito do "sonho americano". Existiu alguma vez e, se sim, porque se perdeu inexplicavelmente? Surgiu então a questão do ressentimento: "de quem será a culpa?". A culpa é dos Vietnamitas, soprava The Deer Hunter. É a sua barbárie (de raiz) que "acordou" a barbárie dos soldados americanos. É o outro vietnamita o responsável pelo ideal US ser calcado aos pés. Como nos pátios de recreio onde ecoa o eterno "foi ele quem começou!".

Se (é ainda apenas uma hipótese) há uma decadência americana e se, como defende Octávio Paz, "ela constitui para eles |os Americanos| a porta de entrada na história", se mesmo "ela lhes traz o que eles sempre procuraram: a legitimidade histórica", Cimino é o cineasta que acompanha esta decadência e também o que a mais trabalha. Pela primeira vez, alguém conta a segunda história dos Estados Unidos. Uma epopeia, certamente, mas a do ressentimento. O fim do sonho americano liberta as tribos americanas. Algures, entre a reanimação ascética do sonho e a exibição folclórica das tribos, oscila Cimino.

Year of the Dragon é pois a continuação lógica de The Deer Hunter. Dez anos passaram e Stanley White (Mickey Rourke) é o polícia exaltado que "fez o Vietname" e que não regressou. Delirante mas metódico, conduzindo uma guerra pessoal, evidentemente racista. Porque esta guerra já não releva da metafísica conradiana (no fundoque "outro" inconfessável sou eu?) mas de um exorcismo securitário, de uma cruzada de polícia zeloso, tendo macerado em excesso o ódio de si mesmo.

Stanley White, náufrago polaco do sonho americano, declara guerra aos que não tendo nunca (na realidade) feito aquele sonho, não naufragaram. Já não estão lá, no Vietname, mas prosperam aqui, em Nova Iorque, e são também amarelos: os Chineses. Há bem uma mafia chinesa para desmascarar mas há principalmente uma maneira chinesa de alimentar - quem sabe? um outro sonho. Um sonho que não deveria nada ao tornar-se-americano mas tudo a esse detestável hábito dos Chineses de não se tornarem nada porque são chineses e que há muito tempo eles estão "na história".

O ressentimento tem mais truques no bolso. Cimino diz que os chineses são "bons vivants" (um pouco como os italianos) e que gosta deles. White, por seu lado, gostaria de os proteger da sua máfia mas ninguém pede a sua protecção. o "milieu" chinês de Year of the Dragon é visto como uma contra-sociedade que escandalosamente marcha por si só. Come-se bem (restaurantes), joga-se noite e dia (casinos), trafica-se (pó) e encontra-se ali lindas raparigas como Tracy Tzu, a jornalista por quem Stanley se apaixona: uma rapariga rica e com a "classe" que Stanley não tem. Inversamente o "milieu" branco é visto como um cordão fúnebre de triste hipocrisia, de sexo falhado, amizades glaucas e familiaridades rançosas. Dito de outro modo: a virtude vive mal e o vício desenvencilha-se bem.

"Alguém se diverte no lugar de outro... Não há, nunca houve outra questão política senão essa, a relação das pessoas com o prazer" disse algures Pierre Legendre. Não há divisão de trabalho sem divisão (inconsciente) do prazer. Stanley White é aquele a quem esta dupla divisão torna louco. "Prendam essa gente!" grita ele no fim do filme no decorrer de uma duvidosa apoteose cujo sentido é que as coisas iriam melhor se cada um (polícia, jornalista) fizesse o seu trabalho. Mas esta moral não o isenta do seu fracasso pessoal porque bo fundo de si mesmo ele imputou já este fracasso ao que imagina ser o triunfo do outro. Porque cada um "goza em seu lugar". Estamos bem no coração da estrutura racista, sobre a sua vertente "hard" (bem conhecida na Europa). Se Stanley White goza tão pouco e tão mal do sonho americano, não será porque os outros - os Chineses - se "aproveitam" desse sonho de que o roubam? Um herói ascético como White, visto que perde tudo o que tem. Tudo? Não, visto que lhe resta ainda o medo de "ser apanhado".

Nos seus filmes precedentes, Cimino aperfeiçoara uma forma assombrosa de dilatar e contrair o tempo. Assombrosa porque muito pouco hollywoodiana, muito próxima do sistema "olho de ciclone" de Pialat. Em cada cena de Year of the Dragon há, no meio, uma zona de calma e repouso. Como uma vontade de fazer a paz ou uma trégua no interior da ideia fixa. De cada vez, contudo, Stanley White recupera e parte de novo com uma violência acrescida. Como se esses momentos de paz fossem uma armadilha do diabo para o fazer esquecer a sua missão. Tão bem que, formalmente, debaixo do fogo pirotécnico da acção imparável, germina a monotonia do que se tornou em Cimino um truque narrativo em acordo (hélas) com a monotonia do herói.

in Ciné Journal 1981-1986, Cahiers du Cinéma,cop.,Paris, 1986

(Tradução de Manuel Cintra Ferreira)

(Retirado do catálogo "Michael Cimino - O Último dos Mavericks" publicado pela Cinemateca Portuguesa e extraído de 
http://cine-resort.blogspot.com.br/2012/03/year-of-dragon.html)

sábado, 21 de maio de 2016

Cine FAP: O Sequestro do Metrô 123, de Tony Scott


Nesta segunda, o CineFAP dá continuidade ao ciclo BAD SHAKESPEARE, que ainda contará com Soldado Universal: Regeneração, de John Hyams, no dia 30/05. Sempre com debate pós a sessão.

Homens armados sequestram um trem do metrô de Nova York, mantendo reféns os passageiros em troca de um resgate, transformando o dia comum de Walter Garber num confronto com o cérebro por trás do crime.

Sobre o ciclo:

"Como dois profissionais infiltraram nossa segurança, mataram 41 soldados e fugiram? Com ajuda, é claro. Tudo está sob controle, com exceção de um detalhe, uma filha que quer seu pai e companhia mortos e arruinados. Shakespeare ruim. De alguma forma, os parasitas da companhia chegaram a ela. Olha, ela é sua filha e isso é trágico. Mas, do sangue ou não, ela é quem vai. Chame isso o preço de fazer negócios." - Eric Roberts em momento autorreflexivo da trama de Os Mercenários, de Sylvester Stallone.

A tragédia para a era contemporânea, para um mercado marginalizado de cinema, seguindo o axioma stalloniano: epopeias do homem comum, com heróis terminais, valores terminais e sub-astros de filmes de ação em latente decadência, um pequeno recorte de Bad Shakespeare.
Sessão:
O Sequestro do Metrô 123 (
The Taking of Pelham 1 2 3, EUA, 2009)
dia 23/05 (segunda-feira)
às 19h
no Auditório Antonio Melillo, na FAP - Faculdade de Artes do Paraná
(Rua dos Funcionários, 1357, Cabral)
ENTRADA FRANCA
Realizado por Cine FAPApoiado por
Cazé - Centro Acadêmico Zé do Caixão
Coletivo Atalante

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Cineclube da Cinemateca: "O Ano do Dragão” de Michael Cimino

Neste domingo, dia 22, às 16h, o Cineclube da Cinemateca exibe "O Ano do Dragão" dando sequência ao ciclo Michael Cimino que ainda contará com "Na Trilha do Sol" (dia 29). Sempre com entrada franca!

Cineclube da Cinemateca apresenta:
"O Ano do Dragão” de Michael Cimino 

Nas profundezas do coração da Chinatown nova-iorquina, cresce uma ameaça criminal milenar, a Triade, uma impiedosa rede de corrupção e poder. O novo chefão da organização, o jovem Joey Tai (John Lone), decide que é chegada a hora de enfrentar os interesses dominantes, tanto italianos quanto orientais, na disputa pelo lucrativo tráfico de drogas. As ruas ficam cobertas pelo sangue de seus inimigos. Isto até que o Capitão Stanley White assume o controle de Chinatown. Utilizando uma bela jornalista como aliada, White inicia uma batalha particular contra o caos reinante em seu território. Apenas um homem poderá sobreviver ao inevitável confronto.

Serviço:
22 de maio (domingo)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 - 3552
ENTRADA FRANCA
Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante