quarta-feira, 1 de julho de 2015

Cineclube do Celin: "A Espiã" de Paul Verhoeven


Durante a 2ª Guerra Mundial, Rachel Stein (Carice van Houten) é uma linda cantora judia, que está escondida. Quando o local em que está é destruído por um bombardeio, ela e um grupo de judeus decidem atravessar Biesbosch para chegar ao sul da Holanda, que já está livre da ocupação nazista. Entretanto o barco deles é interceptado por uma patrulha alemã, que mata todos a bordo com exceção de Rachel. A partir de então ela se une à resistência, adotando o nome de Ellis de Vries. Notando o interesse de um oficial alemão, ela se aproxima dele e consegue um trabalho. Enquanto isso a resistência elabora um plano para libertar um grupo de prisioneiros, onde a participação de Ellis será fundamental.

Serviço:

dia 03/07 (sexta)
às 19h30
No Anfi 400 da UFPR
(Rua General Carneiro, 480 - Reitoria, Edifício Dom Pedro I, 4° andar)
ENTRADA FRANCA

terça-feira, 30 de junho de 2015

Cineclube Sesi 3 anos: "Orgasmo" de Umberto Lenzi

Nesta quinta-feira, dia 2, o Cineclube Sesi exibe "Orgasmo" de Umberto Lenzi abrindo o ciclo Giallo, que contará ainda com "O Alerta Vermelho da Loucura" de Mario Bava (09/07), "I corpi presentano tracce di violenza carnale" de Sergio Martino (16/07), "Profondo Rosso" de Dario Argento (23/07) e "Gato Negro" de Lucio Fulci (30/07).
Sempre com entrada franca!

Cineclube Sesi 3 anos apresenta: "Orgasmo", de Umberto Lenzi


Kathryn West, uma glamurosa viúva, chega à Itália semanas depois da morte do seu rico marido. Com a ajuda de Brian, seu advogado, Kathryn muda-se a uma luxuosa vila e passa a levar uma existência solitária. No entanto, logo no seu primeiro dia, um belo jovem chamado Peter Donovan aparece em frente ao seu portão à procura de ferramentas para que possa consertar seu carro esporte. Kathryn deixa ele passar a noite e logo estão loucamente fazendo amor no chuveiro. Peter eventualmente se muda para a vila e é logo acompanhado por uma espírito-livre que ele apresenta como sua irmã, Eva. Kathryn se diverte com sua companhia e festeja com eles – até que começa a suspeitar que Peter e Eva não são exatamente o que parecem ser. 

Serviço:
dia 02/07 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
 

Realização: Sesi 
   
   (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Cineclube Sesi 3 anos: Giallo

Programação
02/07 - "Orgasmo" de Umberto Lenzi
09/07 - "O Alerta Vermelho da Loucura" de Mario Bava
16/07 - "I corpi presentano tracce di violenza carnale" de Sergio Martino
23/07 - "Profondo Rosso" de Dario Argento
30/07 - "Gato Negro" de Lucio Fulci


Serviço:
Toda quinta
às 19h30 
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi 
Produção: Atalante

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A PARALISIA DA AFECÇÃO


(sobre A Mulher Sem Cabeça, de Lucrecia Martel)

A Mulher Sem Cabeça mostra uma mulher de meia-idade, Verónica, que atropela um ser vivo (um dos meninos que aparecem na cena de abertura? ou o cachorro que está com eles? ou algum outro que sequer vimos antes?) numa estrada de terra, mas não presta socorro e segue em frente. A cena do atropelamento é paradigmática: um plano-sequência filmado de dentro do carro, focado no rosto de Verónica; há um solavanco, ela pára o carro, mas não sabemos ainda o que aconteceu, a câmera permanece nela, o fora-de-campo se infla na nossa imaginação à medida que nos é adiado o acesso a ele. Depois que Verónica recoloca o carro em movimento, corta para um plano em que vemos, pelo vidro traseiro, bem ao longe e se distanciando cada vez mais, um corpo estendido na estrada. Os dias que se seguem ao incidente são filmados igualmente do ponto de vista dessa clausura empirística que pautou a cena do atropelamento. A câmera se cola em Verónica, e uma profusão sensorial nos impede de concatenar os fatos; estamos mergulhados num cotidiano atormentado pela culpa, pela dúvida, pela indefinibilidade.

O que quer que tenha cruzado o caminho de Verónica, sua presença-ausência agora assombra todos os enquadramentos do filme. O drama se internaliza e se virtualiza, dilui-se nos espaços, na paisagem, na banalidade cotidiana, no fundo quase sempre desfocado das imagens, evanescendo a presença do mundo ao redor da personagem principal à medida que o peso da consciência dela aumenta. Os estímulos aferentes do mundo objetivo e da apreensão sensível são desproporcionais a seus prolongamentos subjetivos. O olhar seleciona patologicamente as partes do real que lhe interessam e afetam. A ficção, ou o que sobra dela, consiste na errância de uma mulher desconectada de umarrière-monde tornado mais e mais abstrato. A narrativa é pura passagem, passagem que não progride, não vai de A a B, mas de A a A', A'' e assim por diante – sutis variações em torno de um mesmo estado afetivo instaurado desde o início. No lugar da ação, a afecção. O filme se constrói à semelhança do comportamento de Verónica na cena do atropelamento: dilatando o intervalo entre ação e reação (a atuação de María Onetto, rosto transformado em placa reflexiva imóvel, parte de um limitado repertório de nuances de expressão). É a imagem-afecção – tal como Deleuze a definiu em Imagem-Movimento – quase que didaticamente exposta: a imagem que absorve uma ação exterior e reage interiormente. 

Lucrecia Martel, seus longas anteriores já demonstravam, elabora seu cinema às custas de muita amarração plástico-conceitual e muita consciência sobre a forma. Mas o que se prefigurava em A Menina Santa agora se confirma: o horizonte estético da diretora é algo ali entre um blablablá conceitual pautado por modas recentes e uma propensão ao academicismo. A Mulher Sem Cabeçaderiva não exatamente de Antonioni, mas do que Deleuze escreveu sobre Antonioni, sobre fracasso sensório-motor, situações puramente óticas e sonoras etc. Se o filme se encaixa tão bem no panorama do “cinema contemporâneo”, é porque esses conceitos, embora já tenham sido digeridos e regurgitados há pelo menos vinte anos, acham-se nele reciclados pela nova norma gramatical do cinema de autor, que prescreve como regras inalteráveis o minimalismo narrativo e a ambiguidade generalizada. Martel parece ter calculado (com sucesso) uma fórmula de sutileza paradoxalmente nutrida por uma violência latente, peça importante em sua dramaturgia desde o longa de estréia, O Pântano. Essa violência, antes presença sólida mesmo que encoberta, a partir de A Menina Santa começou a soar um pouco farsante, um subterfúgio para dar consistência e tensão a uma visuália pretensiosa mas inoperante. A Mulher Sem Cabeça é o ápice disso, uma sucessão de vagos exercícios de estilo. Lá pela metade do filme, o deslumbramento de Martel com o cinemascope se torna até ingênuo. 

Ela faz um cinema predestinado a festivais internacionais, o equivalente a uma arte predestinada a museus que Valéry criticaria pelo excesso de pontos “admiráveis” e pela falta de “delícias”. Epítome de um novo academicismo sobre o qual já discorri em outros textos, Martel vem sendo o farol de muitos jovens cineastas e estudantes de cinema. Uma sensibilidade lugar-comum que, a curto e médio prazo, só poderá engendrar formas banais.

O mar agitado e a piscina com cloro

O melhor modo de expor o ponto central de minha recusa ao falacioso último longa-metragem de Lucrecia Martel é compará-lo a O Intruso, filme de uma cineasta, Claire Denis, que também trabalha bastante as noções de fragmento e passagem, substituindo a “trama” pelo simples (nada simples, no fundo) impacto estético da luz, do corte, do movimento, da apreensão fugidia de corpos que se esfregam e se misturam. Um cinema que deriva de um olhar não mais diante do mundo, como é em Eastwood, como foi em Hawks, Lang, Fuller e tantos outros, mas sim imerso no mundo. 

Os filmes de Denis, como os de Martel, fazem o espectador imergir nas imagens: o olhar, antes em atitude de afrontamento, agora está envelopado, não consegue determinar com clareza os contornos dos eventos, e por isso os fatos filmados possuem bordas esfarrapadas, imprecisas. Mas há uma diferença que é de natureza e não apenas de grau: ver O Intruso é como mergulhar num mar turbulento; ver A Mulher Sem Cabeça é tomar um banho de audiovisual na piscina do condomínio. 

O tropismo de Denis pela superfície bidimensional da imagem e pelas qualidades primárias da matéria é uma espécie de volta ao “magma original” de onde brotam as formas. Já em Martel, observa-se um outro movimento: das matérias às maneiras, dos afetos aos efeitos. Outra forma de distingui-las é a partir de um tema importante para ambas: a intimidade. Em Denis, ela passa pelo limite fluido entre corpos e espécies (pensar no devir-animal de seus personagens), pela ductilidade entre o ser e o mundo exterior (já que as fronteiras entre um e outro não são permanentes). Em Martel, a intimidade é preparada, desde a raiz, para o desfrute seguro dos curadores e frequentadores de grandes festivais – uma intimidade, portanto, sem segredo, sem confissão, somente confirmação do que já se espera dela.

Luiz Carlos Oliveira Jr.
(Texto original: 
http://www.contracampo.com.br/93/pgparalisiamartel.htm) 

Cinema em Debate: "O Homem do Prego" de Sidney Lumet

A Faculdade Bagozzi convida alunos, professores, colaboradores e comunidade para participar da última sessão do ciclo "Cinema-História: Holocausto: representação, memória e negação", que faz parte do projeto Cinema em Debate. 
A próxima edição do evento ocorre sábado, 27 de junho, na Sala de Conferências da Unidade Portão, às 14h, com a exibição do filme "O Homem do Prego". 
O debatedor convidado será o cineclubista Miguel Haoni, fundador da Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC) e do Coletivo Atalante. 
Haoni coordena os Cineclubes do Serviço Social da Indústria no Paraná, e ministra pelo Sesi oficinas de crítica e cineclubismo e minicursos de história e teoria do cinema. 
A entrada é gratuita e aberta à comunidade maior de 12 anos. Haverá pipoca e refrigerante para os participantes e a Faculdade emite certificado de horas de atividades complementares.



Cinema em Debate apresenta: 

"O Homem do Prego" de Sidney Lumet

Sol Nazerman é um sobrevivente do Holocausto nazista e hoje vive como operador de uma casa de penhores em Nova York. Ainda sob o trauma da guerra,tem lembranças constantes de seus terriveis momentos no campo de concentração.

Serviço:
dia 27/06 (sábado)
às 14h
Rua Caetano Marchesini, 952 - Portão, Curitiba, PR
ENTRADA FRANCA
 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Cineclube Sesi: "A Mulher Sem Cabeça" de Lucrecia Martel

Nesta quinta-feira, dia 25, o Cineclube Sesi exibe "A Mulher Sem Cabeça" encerrando o ciclo Lucrecia Martel. Em julho é a vez do ciclo Giallo em comemoração aos 3 anos do cineclube.
Sempre com entrada franca!


Cineclube Sesi apresenta: 

"A Mulher Sem Cabeça", de Lucrecia Martel


Verónica é uma dentista de classe média-alta, com boa vida familiar e afetiva. Um dia, enquanto dirige, ela se descuida e o carro acaba passando por cima de algo. Seria uma pessoa? Um animal? Apenas um objeto? Sem coragem de voltar ao local e descobrir o que realmente aconteceu, Verónica vê sua vida se destruir dia a dia, oprimida pela culpa de talvez ter assassinado alguém. 

Serviço:

dia 25/06 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)


ENTRADA FRANCA
 


Realização: Sesi 
   
   (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

sábado, 20 de junho de 2015

O ÚLTIMO GRANDE HERÓI

(John McTiernan, Last Action Hero, 1993)

O Último Grande Herói foi um fracasso de público. Ainda que seja uma comédia na maior parte do tempo, o filme traz o ocaso no título, e explora o sentimento que daí surge sem medo de transformar-se em lamúria. Nos anos 90, seu parentesco mais próximo estaria em um filme como Rápida e Mortal, de Sam Raimi: um mesmo gosto pelo pastiche, um mesmo acento lúdico, um mesmo fermento maneirista, uma mesma inspiração no cartoon. Em Raimi, contudo, prevalece o jogo, a brincadeira com as formas, a pesquisa sobre novas “tecnologias” da decupagem e da excitação visual. McTiernan também realiza seqüências de ação incríveis, trabalha cada mínimo detalhe do gestual e do visual dos personagens, aproveita as chances dadas pelo volume simbólico e iconográfico que a consciência sobre o cinema de gênero permite, mas o olhar do personagem de Schwarzenegger quando avista o cartaz de “Jack Slater IV” e se descobre um mero produto da imaginação é algo que jamais figuraria em Rápida e Mortal. O Último Grande Herói tem esse assombro de ter chegado após o fim de uma era. Se por um lado McTiernan não perde a piada (as piscadas de olho são infinitas, variando do sutil ao explícito), por outro há um cenário em penumbra, algo que constata uma tristeza. O mais buddy movie dos filmes de McTiernan, o mais engraçado, o mais ambicioso, o mais auto-reflexivo é também seu mais melancólico. E sua obra-prima.
Os signos de crepúsculo estão em cada detalhe. A começar pelo cinema onde o menino Danny assiste à saga de Jack Slater (Schwarzenegger): uma sala de arquitetura antiga e mal conservada, descascada pelo tempo. Nick, o velho projecionista, é um sobrevivente do antigo espaço de fruição dos filmes (o cinema de rua, o espetáculo lotado), alguém cujo tempo de vida praticamente equivale à idade do cinema. No começo do filme ele dorme na sala de projeção, que herdou de seu pai, enquanto Danny assiste sozinho a “Jack Slater III”. Em um cinema fantasmagórico, um filme de gênero feito em moldes anacrônicos é projetado, sendo visto pela sexta vez por um espectador pré-adolescente vidrado em tudo que acontece na tela, antecipando cada fala ou ação. A quadra de Nova York em que essa sala de cinema se localiza, por sua vez, parece em si mesma um museu da cinefilia, uma calçada por onde a Morte (egressa diretamente de O Sétimo Selo) circula.
Nick diz que o bilhete dourado que entrega a Danny, antes da sessão prévia de “Jack Slater IV”, foi um presente de Harry Houdini (há inclusive um pôster dele na sala de projeção), quando este se apresentou ali naquela sala de cinema, muitos anos antes de Danny sequer sonhar em nascer. Segundo o famoso ilusionista, aquele bilhete seria a porta de entrada para um mundo mágico. Houdini representava um dos baluartes da efervescente cultura dos espetáculos do corpo no início do século XX, um ideal heróico de talento físico. A princípio inspirado pelo espiritualismo, ele posteriormente negou-o em favor de apresentações onde o corpo real era colocado no centro de significação do espetáculo: a ilusão se distanciava do espírito da ficção, queria se passar por verdade corpórea. Houdini chegou a tentar carreira no cinema, aparecendo em uma meia-dúzia de filmes, mas não deu certo e acabou se voltando – de forma semelhante à sua relação com o espiritualismo – contra o cinema, valorizando a performance ao vivo, a presença física do showman. Mas era o corpo cinemático, naquele momento, que já triunfava sobre o corpo real: basta citar que os espetáculos de vaudeville primeiro passavam filmes como adendos aos espetáculos ao vivo, antes destes começarem, porém rapidamente as performances ao vivo se tornaram mero entretenimento auxiliar para as grandes atrações, isto é, os filmes que eram depois projetados.
Esse espetáculo americano do corpo, em que Houdini se destacou, seria reencontrado no cinema de aventura, nas potencialidades do herói de ação, e na comédia física, nas acrobacias do herói burlesco, elementos que parecem comentados de alguma maneira em O Último Grande Herói. Da mesma forma que as performances físicas de Houdini foram superadas pelo lugar imaginário da ficção cinematográfica, o herói feito de músculos e frases de efeito interpretado por Schwarzenegger tinha também seus anos de glória chegando ao fim em 1993. Vindo acompanhada de todo um novo regime de imagem, velocidade, narrativa, ficção etc, a maleabilidade do corpo digital tornava démodé aquela truculência toda, como o próprio Schwarzenegger havia experimentado um pouco antes, deparando-se com o metal líquido do T-1000 em O Exterminador do Futuro 2. Mais ainda: o cinema de gênero em si, fosse seu herói uma massa orgânica ou um corpo-elástico confeccionado em CGI, estava em crise com seus códigos. Era como se o pacto de adesão às inverossimilhanças do mundo ficcional, suas leis e arbitrariedades próprias, estivesse em suspenso, em renegociação (um novo design e uma nova estratégia narrativa se teceriam mais tarde, hoje sabemos). Como mostra uma das cenas mais divertidas do filme, a crise é hamletiana: "ser ou não ser".
Mais do que um cinéfilo, Danny é um cine-filho, alguém que se deixa adotar pelos filmes, um exemplo limite de espectador de cinema – uma dedicação à sala escura que já existia em outras épocas, remotas até. Ao mesmo tempo, ele representa um extremo da história da espectatorialidade: um olhar que reconhece todas as convenções, os códigos, os truques, as técnicas. Danny possui uma excessiva consciência em relação ao universo ficcional, à lógica interna de um filme, é um espectador nascido após o fim da inocência. Nick, ao contrário, pertence a uma outra época. Ele se surpreende quando Danny diz que o bilhete mágico de fato funciona. “Eu poderia ter feito uma visita à Greta Garbo”, arrepende-se. Acontece que na época em que Nick era um cinéfilo como Danny, ninguém ousaria transpor essa barreira, ninguém admitiria a hipótese de passar para o outro lado da representação. Danny é um espectador da era dos parques temáticos, da visita aos estúdios da Universal como modelo de entretenimento. Visitar os cenários dos filmes, o lugar onde são feitos, conhecer os bastidores, ver de perto a maquinaria do cinema, isso ameaçava substituir, no imaginário das novas gerações, o próprio encontro com o filme, esse grande outro que perdia seu espaço para a constatação do mesmo – pois o local de fabricação dos filmes pertence ao mesmo mundo do espectador, é uma realidade como outra qualquer. Já os filmes em si, estes vão sempre preservar uma qualidade de outro; o mundo do filme e o mundo do espectador nunca serão o mesmo, nem se esforçando muito para isso. Haverá sempre uma separação que está na base do espetáculo e da ontologia do cinema (o coeficiente de semelhança entre o mundo representado na tela e o mundo real não altera essa evidência primeira, de que entre o espectador e o filme se desenvolve uma relação de "um" com o "outro"). O Último Grande Herói é um filme sobre o novo estatuto dessa fronteira. Danny atravessa a tela e cai no mundo do filme a que assistia, sendo integrado à diegese. Ele agora é ator e espectador do cinema, vai para o mundo em que os bad guys nunca vencem no final. O filme é um pouco uma versão de A Fantástica Fábrica de Chocolate voltada mais explicitamente para o universo cinematográfico. O último grande herói não é apenas Jack Slater: é também Danny, é também Nick, pessoas que resguardam um tipo de relação com o cinema em vias de desaparecer. É também John McTiernan.


 Luiz Carlos Oliveira Jr.
(Texto originalmente publicado em http://www.contracampo.com.br/)