sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Cine FAP: "Superbad", de Greg Mottola

Nesta segunda-feira, dia 31, o Cine FAP realiza a última sessão da mostra Teen Movies com Superbad, de Greg Mottola, seguida de debate a respeito do filme.



 Cine FAP apresenta: 
"Superbad", de Greg Mottola


Melhores amigos do ensino médio enfrentam a ansiedade da separação iminente frente a preparação para a universidade. Enquanto tentam conseguir álcool para uma festa com a ajuda de um amigo cuja falsa carteira de identidade lhe atribui o nome McLovin, a noite dá uma guinada caótica e imprevisível.

Serviço:
dia 31/08 (segunda)
às 19 hs
no Auditório Antonio Melillo, na FAP - Faculdade de Artes do Paraná
(Rua dos Funcionários, 1357, Cabral)
ENTRADA FRANCA

Realização: Cine FAP e HATARI! (Grupo de Estudos de Cinema)
Apoio: Coletivo Atalante

Kaguyahime no monogatari (2013) de Isao Takahata


Na mesma senda de Hayao Miyazaki – com quem, aliás, fundou o estúdio Ghibli –, Isao Takahata aprontou a sua despedida do cinema de animação com uma cerimónia fílmica bem ao nível dos mais belos epílogos visuais. Estou a lembrar-me, por exemplo, do próprio desenlace do filme (logo no início deste texto, imagine-se), em que me acercou de imediato a ideia de uma possível versão oriental do tema “Lucy In The Sky With Diamonds”, dos Beatles. Igualmente narcotizante e florido, embora comovente pela desventura da história.
Conhecido principalmente por títulos como Hotaru no haka (O Túmulo dos Pirilampos, 1988) eOmohide poro poro (Memórias de Ontem, 1991), Takahata não será um nome tão sonante ao lado do seu colega Miyazaki, mas, pegando apenas nestas duas obras mencionadas, é possível assinalar um breve e consistente perfil autoral, a fim de proporcionar um encontro mais contextualizado com este Kaguyahime no monogatari (O Conto da Princesa Kaguya, 2013). Refiro-me, entre outras coisas, à aceitação/respeito pelo final trágico de Hotaru no haka, não lhe arredando o realismo, mas antes revestindo-o de uma candura que se abate sobre a dor como um pano humedecido sobre a febre, ou, por outro lado, à força da memória ligada ao ambiente campestre, à experiência mais primitiva dos deleites do homem com a natureza, muito presente nos anseios da protagonista de Omohide poro poro. Pois que, ambas as particularidades aludidas estão presentes em Kaguyahime no monogatari: mesmo sendo o seu dito “último filme”, Takahata não se verga à fraqueza dos finais felizes em cinema de animação, e, sobretudo, dá-nos a respirar, com Kaguyahime, a Princesa, o insubmisso ar da natureza, a desobediência das plantas que, mágicas, contrariam as leis de divisão entre o céu e a terra, permitindo que de um bambu nasça um polegarzinho. Na sua passagem pela terra, vamos assim testemunhar a vida de Kaguyahime, pautada pelo amor e pela alegria, mas também tomada pelo sofrimento.
Kaguyahime no monogatari é inspirado no Conto do Cortador de Bambu, talvez a mais antiga peça em prosa de ficção da tradição japonesa literária (séc. X), e conserva o essencial de uma estética, também ela, puramente japonesa, uma estética subtil enraizada no traço do conto oriental (quem já leu contos orientais identifica, com certeza, um delicado traço narrativo, uma marca muito precisa do imaginário cultural e moral). Não me lembro de melhor modelo de alcance desse traço do que Ugetsu monogatari (Contos da Lua Vaga, 1953), de Mizoguchi, onde o cinema se encontra com o seu próprio véu de ilusão – o tecido diáfano que Wakasa usa sobre a cabeça –, um véu que é igualmente medida da fragilidade humana, como aquela que debilita as noções de felicidade do cortador de Bambu. Porventura será esse o efeito das cores pastel e aguarela deKaguyahime no monogatari: gerir uma quase-transparência, uma certa confluência entre o visível e o invisível, entre a mutação perceptível de um corpo que cresce ao ritmo do Bambu e o desconhecimento alheio de como lidar com uma dádiva, enfim, com a fortuna inesperada.
Modelando com uma sensibilidade extraordinária todo o filme (de longa duração, isto é, de deleite visual prolongado), a certa altura, Takahata liberta a pincelada – quando Kaguyahime é “sugada”, pela fúria, para o seu habitat natural, o campo – e carrega o traço, estimulando a nossa percepção táctil da dor; um impressionismo que, de facto, impressiona(-nos). Não interessa se é um sonho ou se está mesmo a acontecer, interessa a impressão. Um traço gentil que, de repente, se torna selvagem, no incontestável reinado da forma. Também nós, espectadores, experienciamos a beleza de Kaguyahime no monogatari conforme o mando desse traço.

De Inês Lourenço · Em Abril 9, 2015
Texto originalmente publicado em 
http://www.apaladewalsh.com/2015/04/09/kaguyahime-no-monogatari-2013-de-isao-takahata/

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Cineclube da Cinemateca: "Levada da Breca" de Howard Hawks

Neste sábado, dia 29, o Cineclube da Cinemateca exibe "Levada da Breca" de Howard Hawks encerrando o ciclo Cinema americano dos anos 30. Sempre com entrada franca!

Cineclube da Cinemateca apresenta:
"Levada da Breca" de Howard Hawks


David Huxley (Cary Grant), um paleontólogo com casamento marcado, vai jogar golfe com o objetivo de agradar seu oponente e facilitar a doação de 1 milhão de dólares para o museu onde trabalha. Até que conhece Susan Vance (Katharine Hepburn), uma rica herdeira acostumada a ter tudo o que quer, mas completamente inconseqüente. Susan decide se casar com David, mas para mantê-lo ao seu lado ela utiliza todos os recursos possíveis, transformando a vida do pacato homem em uma sucessão interminável de problemas.

Serviço:
29 de agosto (sábado)
Excepcionalmente às 15h
Na Cinemateca de Curitiba (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 - 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Jornada de Cinema PPGCOM UTP

A Cinemateca de Curitiba sedia em 2 de setembro a I Jornada de Cinema PPGCOM UTP, a partir das 9h. Serão palestras e mesas de debates promovidas por profissionais da área, que trarão seus trabalhos sobre diversas temáticas acerca da sétima arte. A realização é do Programa de Pós Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba. A entrada é franca e as inscrições podem ser feitas pelo site:jornadadecinemautp.com/inscricao/
            O objetivo da I Jornada de Cinema PPGCOM UTP é pensar e discutir o cinema, promovendo o diálogo do público participante com pesquisadores, realizadores e críticos. Os pesquisadores trarão reflexões sobre a linguagem cinematográfica. Já a mesa de crítica de cinema tratará sobre o papel dessa atividade na contemporaneidade. Ainda será promovida oficina, que levará os participantes a questionarem o texto crítico em sua produção.
            Os integrantes do Grudes (Grupos de Pesquisa do Programa de Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná), apresentarão pela tarde suas mais atuais pesquisas acadêmicas sobre as representações dos espaços urbanos no cinema de ficção e documental. A narrativa hollywoodiana e o cinema brasileiro serão abordados pelo Comunicação, Imagem e Contemporaneidade, também de grupo de pesquisa do PPGCOM UTP.
            O evento encerrará, no período da noite, com o 1° FastDoc, o Festival de Documentários Universitários da UTP – Mostra Vladimir Kozák.

Programação:

9h às 10h30 – PALESTRA DE ABERTURA
A poética da intimidade no cinema brasileiro contemporâneo
O cenário contemporâneo do cinema brasileiro revela, na diversidade de suas últimas produções uma tendência que se caracteriza pela presença significativa de uma leva de filmes ficcionais de temática e abordagem intimistas, apresentando imagens de personagens lidando com medos, desejos, paradoxos; às voltas com incertezas, perplexidades, contradições e necessidades de dar conta das circunstâncias temporais e topológicas em que se inserem. Verifica-se progressivo crescimento do número de filmes focando a dimensão do individual e do rotineiro, em que a ênfase está no humano, nos quais o protagonista é o homem dito comum: trata-se, quase sempre, de um cinema marcado por recursos expressivos e narrativos comprometidos com estranhamentos e rupturas poéticas, desvelando interioridades e intimidades interditas em imagens ditas banais, corriqueiras. É na perspectiva da reflexão a respeito desta problemática que a palestra concentra-se em narrativas cinematográficas fortemente representativas de tal tendência e que, articulando cenas de caráter tanto cômico quanto dramático, especificam, ressaltam e discutem questões atinentes à contemporaneidade de vivências, afetos e relacionamentos pessoais situados e desenvolvidos em diferentes contextos.

Sandra Fischer é pós-doutora em Cinema pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ, 2009) e doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP,2002). Possui mestrado em Letras/Literaturas de Língua Inglesa (Universidade Federal do Paraná-UFPR,1989) e graduação em Letras Inglês (UFPR,1986); é especialista em Planejamento e Administração Pública (Fundação Getúlio Vargas-FGV, 1997), tecnóloga em Desenho Industrial (Universidade Tecnológica Federal do Paraná-UTFPR, 1979). Atualmente é coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Tuiuti do Paraná (FCSA-UTP), no qual atua como pesquisadora e docente; na mesma universidade, trabalha como docente junto aos seguintes cursos: Especialização em Rádio e Televisão, Graduação em Comunicação Social/Rádio e Televisão e Graduação em Design/habilitação em Moda. Atua principalmente nos seguintes temas: cinema contemporâneo; cinema brasileiro contemporâneo; expressividades poéticas no cinema; televisão; telenovela; figurino, moda e design de moda.

Rafael Tassi Teixeira é doutor em Sociologia pela Universidade Complutense de Madrid (2004). Professor do Programa de Mestrado e Doutorado (PPGCom) em Comunicação e Linguagens da UTP/PR e Professor Adjunto da FAP (Sociologia da Arte e Estudos Culturais). Seus estudos abrangem a área das mediações culturais, estudos diaspóricos, identidades emergentes e a sociologia dos processos migratórios, destacando-se, recentemente, as construções das alteridades in between na cinematografia contemporânea. Desenvolve pesquisas, na atualidade, sobre a identidade e o tratamento sinedóquico das minorias no cinema ibero-americano.

10h30 às 12h – PALESTRA
O autor e a obra no cinema documentário
O sentido de autor no cinema revisitado em sua relação com a noção de obra cinematográfica documental. As vicissitudes dos pensamentos de documentaristas diante de seus atos criativos geradores dos discursos fílmicos.

Eduardo Tulio Baggio é docente no curso de Cinema e Vídeo da UNESPAR (Universidade Estadual do Paraná) e documentarista. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP com a tese “Da teoria à experiência de realização do documentário fílmico”. Pesquisador do grupo de pesquisa CINECRIARE (Cinema: Criação e Reflexão – UNESPAR/CNPQ), e integrante do GT A Teoria dos Cineastas da AIM (Associação de Investigadores da Imagem em Movimento).

13h às 14h – MESA
Crítica de cinema na contemporaneidade

Luiz Gustavo Vilela escreve sobre o mundo do audiovisual para o Portal POP, onde está desde 2010, e assina a coluna Cinema em Casa na CBN Curitiba dando dicas de séries e filmes. Em 2014 lançou o site Crônico de Cinema e em 2015 ingressou no mestrado em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná estudando crítica de cinema e séries de TV.

Paulo Camargo é jornalista, mestre em Teoria e Estética do Audiovisual (Universidade de Miami, 2002) e professor dos cursos de Jornalismo da PUC-PR e da UniBrasil. Também leciona na pós-graduação da PUC-PR e da Universidade Tuiuti do Paraná, onde é doutorando em Comunicação e Linguagens. É integrante da Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Trabalhou nos jornais O Estado do Paraná, Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. É editor do portal de jornalismo cultural A Escotilha.

Miguel Haoni é fundador da Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema e do Coletivo Atalante, coordena o Cineclube do Serviço Social da Indústria no Paraná, e ministra pelo Sesi oficinas de crítica e cineclubismo e minicursos de história e teoria do cinema. Colaborou na coletânea Cinemas de Horror da Editora Estronho, escreve para a Revista de Cinema HATARI!, e integra o cineclube da Cinemateca de Curitiba e do Centro de Línguas da Universidade Federal do Paraná.

14h às 16h – OFICINA com Luiz Gustavo Vilela
Crítica de cinema na contemporaneidade
Como escrever sobre um filme poucas horas depois de tê-lo visto? No que prestar atenção? Na narrativa, nos movimentos de câmera, na atuação, na iluminação, nos diálogos, ou todos esses aspectos ao mesmo tempo? E depois como traduzir isso em palavras? A oficina deverá abordar e debater essas questões como ponto de partida para a reflexão sobre o exercício crítico, fazendo com que cada participante encontre suas próprias respostas.

14h às 15h30 – PALESTRA
Cinedança: Rastros históricos do corpo dançante na tela do cinema
A partir do final do século XIX e início do século XX, a dança começa a dialogar com o cinema e neste diálogo, o palco se transforma em tela. Uma tela sígnica. A fusão da dança com a interface cinematográfica gerou uma nova escritura/signatura e consequentemente, provocou inusitadas possibilidades de fruição, transformando o novo medium, em uma celebração do que define o escritor e filósofo Umberto Eco (1932), como uma obra aberta, ao se referir à pluralidade de significados passíveis de coexistirem em um único significante. Enquanto obra aberta, desde seus primeiros registros documentais, por meio dos experimentos de Thomas Edison, dos Irmãos Lumière e das féeries de George Méliès, a dança interfaceada pela tela cinematográfica, propõe questões que vão muito além de sua visibilidade ou divulgação, condicionando-a para além dos palcos e salões de exibição. Esta palestra, portanto, tem como objetivo olhar para alguns rastros históricos do corpo dançante no cinema delineando sua trajetória no primeiro cinema, no musical hollywoodiano, nos experimentos vanguardistas de Maya Deren, Norman Mclaren e Fernand Léger, situando-se, ao final, o documentário Pina (2011) de Wim Wenders, objeto de pesquisa da palestrante, durante seu Doutorado em Comunicação e Linguagens (Estudos de Cinema e Audiovisual) na UTP.

Cristiane Wosniak é doutora em Comunicação e Linguagens – Estudos de Cinema e Audiovisual pela Universidade Tuiuti do Paraná. Mestra pelo mesmo Programa – Cibermídia e Meios Digitais. Professora Adjunta da Universidade Estadual do Paraná – campus de Curitiba II/Faculdade de Artes do Paraná. Coreógrafa da Téssera Companhia de Dança da Universidade Federal do Paraná. Membro do GP GRUDES da UTP e CINECRIARE da UNESPAR/FAP.


16h às 18h – APRESENTAÇÕES DOS GRUPOS DE PESQUISA

GRUDES – Líder: Rafael Tassi Teixeira
O Grupo de Pesquisa Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais, do PPGCOM/UTP, propõe o desenvolvimento de reflexões teóricas e críticas, a partir das múltiplas possibilidades de elaboração simbólica das cidades, dialetizadas no âmbito do cinema contemporâneo e das mídias audiovisuais. As leituras e discussões articulam-se em torno do objetivo de investigar relações e conexões que se estabelecem entre processos sociais, identidade e diversidade, considerando seus modos de presença em narrativas que têm lugar nos centros urbanos da contemporaneidade. Enfatizam-se as diferentes facetas e configurações estéticas das metrópoles des/re/veladas como um lugar de diferença­ e/ou de confluência, portanto, transcultural e híbrido, com ênfase em seus desdobramentos afetivos e pragmáticos.


Medianeras: A Questão da Experiência Estética
A pesquisa busca discutir a questão da experiência estética tal como se potencializa no filme argentino Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual (Gustavo Taretto; 2011). A partir do olhar das personagens Martin e Mariana, que vagam por entre os edifícios da capital argentina, procura-se analisar a representação dos mundos visualizados através de janelas.

Aline Vaz é mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Tuiuti do Paraná (FCSA-UTP). Especialista em Cinema. Graduada em Letras – Português/Inglês. Membro dos GPs GRUDES – Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais (PPGCOM – UTP) e Cinecriare – Cinema: Criação e Reflexão (Unespar – FAP).

A representação da realidade por meio das mensagens sônicas-visuais no documentário São Silvestre
O registro in loco é uma das características fortes em estilos de documentários. Portanto, os espaços públicos tornam-se personagens em muitos filmes deste gênero. Pela busca da representação da realidade, cineastas captam acontecimentos, fatos, ou demais elementos históricos nestes locais. Praças, ruas entre outros pontos das cidades transformam-se não somente em cenários vivos, mas passam a ter significado social e histórico. São ambientes de comunicação no sentido que, ao mesmo tempo, comunicam por si e são ponto de comunicação entre as pessoas. O filme São Silvestre é prova disso, em que Lina Chamie, com estilo poético e apelo estético, retrata a corrida de rua mais antiga e tradicional do Brasil.

Karen Bortolini é jornalista, graduada pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), com MBA em Gestão da Comunicação Empresarial, pela UTP, e mestranda em Comunicação e Linguagens pela UTP. Assessora de Comunicação do Sistema Fecomércio Sesc Senac, onde apresenta e edita o jornal institucional Acontece no Sistema Fecomércio, produz matérias para a Revista Fecomércio, para o site do Sesc PR, e releases para a imprensa.

Latitudes e os não lugares: Um olhar além do que vemos
A pesquisa busca aprofundar a questão dos não lugares de Marc Augé na obra brasileira Latitudes (Felipe Braga; 2013). O amor vivido por Olivia e José retrada a supermodernidade nas relações pessoais e também com os lugares que os ambientam.

Vanessa Colatusso é mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Tuiuti do Paraná (FCSA-UTP). Especialista em Planejamento e Organização de Eventos. Graduada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda. Membro do GP GRUDES – Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais (PPGCOM – UTP).

COMUNICAÇÃO, IMAGEM E CONTEMPORANEIDADE – Líder: Denize Correa Araujo
O GP Comunicação, Imagem e Contemporaneidade tem por objetivo estudar as teorias da imagem e sua integração em práticas analíticas de objetos em mídias diversas que privilegiem imagens contemporâneas. Serão enfatizados, entre outros, processos digitais e conceitos de hibridação, simulação e manipulação de imagens. Considerando as interfaces entre as diversas mídias, nosso corpus de pesquisa tenciona provocar reflexão não só sobre técnicas de sedução e subjetividade resultantes das novas tecnologias ou por elas produzidas, mas também sobre imagens da atualidade veiculadas em programas televisivos, em outdoors, em filmes e em mídias alternativas que empreguem recursos estéticos em seu fazer comunicativo. Nossa meta é produzir uma publicação conjunta com outros GPs da Compós que estudem a imagem, reunindo artigos de diferentes IES, tentando convergências que podem proporcionar mais temas, incentivando pesquisas na área. Como metodologia, fazemos um encontro mensal com leituras prévias, para discussão dos conceitos teóricos aplicados ao estudo de imagens selecionadas. Um filme por mês, visto previamente pelos participantes do GT, é analisado na reunião mensal.

O documentário musical brasileiro
A pesquisa mostra um levantamento sobre a produção de documentários musicais brasileiros, um subgênero cinematográfico que em tempos recentes teve uma grande ascensão em termos de títulos produzidos. O estudo apresenta um levantamento das obras de longa-metragem nacionais e promove uma análise a partir da lógica da asserção, com recorte teórico apoiado pelas teorias da filosofia analítica.

Cynthia Schneider é jornalista e publicitária, especialista em Cinema pela UTP, mestre em Comunicação e doutoranda em Multimeios. Professora e pesquisadora no Curso Técnico em Produção de Áudio e Vìdeo do IFPR, nas disciplinas de roteiro, direção de fotografia, vídeo digital e documentário.


Imagens e Memórias das Ditaduras: subjetividades est(ética)s
Esta apresentação é o resultado de minha pesquisa de Pós-Doutorado sob a Supervisão do Prof. Dr. Vitor Reia-Baptista da Universidade do Algarve, Portugal. Meus três interesses fundamentais foram: refletir sobre o papel da memória das ditaduras em filmes ficcionais, documentais e híbridos; problematizar os conceitos de subjetividade e objetividade; e questionar o papel da ética em imagens que privilegiam a estética. Desenvolvi seis conceitos: factualidade, dramadoc, memória- metamorfose, auto-imagens, imagens-emoção e imagens-catarse.

Denize Araujo é PhD em Literatura Comparada, Cinema e Artes UCR-USA; Pós-Doutorado UAlg-Portugal; Coordenadora Pós em Cinema-UTP; Docente PPGCom-UTP; Diretora Clipagem-Centro de Cultura Contemporânea; Líder GP CIC-Comunicação, Imagem e Contemporaneidade- CNPq; Vice-Lider GT VIC – Visual Culture –IAMCR; Membro do IC- Conselho Internacional, PC- Comitê de Publicação e SRC – Comitê de Normas da IAMCR – International Association of Media and Communication Research.

Verdade ou desafio? “Birdman” e os caminhos da narrativa hollywoodiana
Filmes “baseados em fatos verídicos” são frequentemente premiados pelo Oscar. O recente sucesso de “Birdman – a inesperada virtude da ignorância”, filme em que a representação realista do mundo é desestabilizada, indicaria a ascensão de uma nova economia narrativa, para além da imagem documental, no cinema voltado ao grande público?

Jeferson Ferro é formado em Letras e mestre em Literatura pela UFPR, e doutorando em Comunicação e Linguagens pela UTP. Professor do Centro Universitário Uninter, estuda narrativas na literatura e no cinema.

Inscrições no site: http://jornadadecinemautp.com/

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Cineclube Sesi: "O Conto da Princesa Kaguya" de Isao Takahata

Nesta quinta-feira, dia 27 o Cineclube Sesi exibe "O Conto da Princesa Kaguya" de Isao Takahata encerrando o ciclo A arte do som. Em setembro será a vez de O cinema segundo Julio Bressane. Sempre com entrada franca!

Cineclube Sesi apresenta: 

"O Conto da Princesa Kaguya" de Isao Takahata

Esta animação é baseada no conto popular japonês "O corte do bambu". Kaguya era um minúsculo bebê quando foi encontrada dentro de um tronco de bambu brilhante. Passado o tempo, ela se transforma em uma bela jovem que passa a ser cobiçada por 5 nobres, dentre eles, o próprio Imperador. Mas nenhum deles é o que ela realmente quer. A moça envia seus pretendentes em tarefas aparentemente impossíveis para tentar evitar o casamento com um estranho que não ama. Mas Kaguya terá que enfrentar seu destino e punição por suas escolhas.

Serviço:
dia 27/08 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
 

Realização: Sesi 
   
   (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

sábado, 22 de agosto de 2015

Curso de História do Cinema na Universidade Positivo


História do cinema: uma nova abordagem para apreciar a Sétima Arte
Cinema é a arte das imagens em movimento. Como arte é o canal de expressão de homens e mulheres que concebem o mundo sob um prisma poético. Como imagens é o espelho da humanidade nos últimos 120 anos: suas ilusões, vergonhas, vitórias e medos projetados em 24 quadros por segundo. E como movimento é a música da luz, a montanha russa nas mais impressionantes paisagens do inconsciente.
Tudo isso, porém, quase sempre passa batido na nossa convencional fruição de filmes. A dieta viciada de audiovisual imposta pela indústria massiva de imagens nos impede de observar o universo por trás dos "roteiros e atuações".

Poesia em cinema é feita de zoom e travelling; do comportamento da câmera à mise-en-scène; do enquadramento criativo à duração do plano. Em resumo: da forma como se manipula a linguagem cinematográfica.

Nesse sentido o Curso de História do Cinema, ministrado por Miguel Haoni (do Coletivo Atalante), propõe, com a ajuda da História Contemporânea e da Filosofia da Arte, lançar outro olhar sobre o fenômeno audiovisual artístico.

O curso pretende observar como diferentes cineastas concebiam a arte em momentos chave de sua evolução histórica. A partir do debate crítico, leitura de textos e análise de filmes investigaremos de que maneira esta linguagem de imagens é tecida na construção de discursos e sensações, configurando parte fundamental de nossa experiência no mundo contemporâneo.
  
Temas abordados:
1)Trajetória da mise-en-scène em profundidade de campo: pequena história da encenação cinematográfica a partir das relações entre plano e profundidade;
2) Chang Cheh e a era maneirista: uma imersão no cinema de artes marciais dos anos 60 e 70 a partir da escrita de seu maior mestre.
3) História(s) do cinema segundo Jean-Luc Godard: leitura poética dos cinemas clássico e moderno a partir dos ensaios videográficos de Godard.

Os encontros funcionam sobre o tripé aula-filme-textos:
· Aula: aula expositiva e debate com os alunos sobre o conteúdo em questão, pontuado pela exposição de fotos, desenhos, textos e trechos de filmes;
· Filme: exibição de trechos de longas-metragens chaves para o entendimento do conteúdo em questão;
· Textos: material didático, críticas ou artigos sobre o assunto discutido.

Referências bibliográficas:
1° Unidade: Trajetória da mise-en-scène em profundidade de campo:
1 - BAZIN, André. O cinema - ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1991.
2 - BORDWELL, David. Sobre a história do estilo cinematográfico. Campinas: Ed. Unicamp, 2013.
2° Unidade: Chang Cheh e a era maneirista:
3 - MAUÉS, Juliana Pinheiro. Chang Cheh e o cinema da força: Estudo estilístico a partir de dez filmes do diretor. Campinas: [s.n.], 2013.
3° Unidade: História(s) do Cinema segundo Jean-Luc Godard:
4 - RANCIÈRE, Jacques. A fábula cinematográfica. Campinas: Papirus, 2013.

PROFESSOR: Miguel Haoni
Cineclubista, nascido em Belém do Pará. Fundador da Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC) e do Coletivo Atalante, coordena o Cineclube do Serviço Social da Indústria no Paraná e ministra pelo Sesi oficinas de crítica e cineclubismo e minicursos de história e teoria do cinema. Colaborou na coletânea Cinemas de Horror da Editora Estronho, escreve para a Revista de Cinema HATARI!, e integra o cineclube da Cinemateca de Curitiba e do Centro de Línguas da Universidade Federal do Paraná.

Inscrições até 09 de setembro de 2015
Quando e onde? Dias 14, 16, 18, 21, 23, 25, 28 e 30 de setembro de 2015, das 19h às 22h, segundas, quartas e sextas-feiras.
Universidade Positivo - Câmpus Ecoville
(R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300)

Carga horária 24  oras
Investimento: 2 parcelas de R$ 78,00
Alunos da UP têm 30% de desconto.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Cine FAP: "As Patricinhas de Beverly Hills", de Amy Heckerling

Nesta segunda-feira, dia 24, o Cine FAP apresenta As Patricinhas de Beverly Hills, de Amy Heckerling. O Cine FAP se propõe como espaço de estudos e debate de cinema, dando continuidade à mostra Teen movies, que reúne filmes-chave e obras-primas do gênero, e que contará ainda com Superbad, de Greg Mottola (31/08).

 Cine FAP apresenta:
"As Patricinhas de Beverly Hills" de Amy Heckerling


Uma adolescente rica e popular na escola se empenha em alçar a popularidade de uma colega novata, enquanto se vê, ela mesma, com questões do coração.


Serviço:
dia 24/08 (segunda)
às 19 hs
no Auditório Antonio Melillo, na FAP - Faculdade de Artes do Paraná
(Rua dos Funcionários, 1357, Cabral)
ENTRADA FRANCA

Realização: Cine FAP e HATARI! (Grupo de Estudos de Cinema)
Apoio: Coletivo Atalante

Bom Trabalho, de Claire Denis


Beau Travail, França, 1999

Claire Denis declarou ter se inspirado diretamente no trabalho tardio de Herman Melville (especialmente na novela Billy Budd, Foretopman e em dois de seus poemas The Night March e Gold in the Mountain) para realizar seu Beau Travail. Sinto-me impelido a dividir com os leitores um trecho da crítica de Jonathan Rosenbaum que procura justificar, emprestando a estas referências um papel legítimo, as conexões sugeridas pela declaração de Denis: "estes não são tanto trabalhos a se adaptar ou lugares a serem explorados quanto são talismãs pessoais, afrodisíacos estéticos, pontos de referência inspiradores, encantamentos". Rosenbaum soma aos escritos de Melville dois filmes decisivos da Nouvelle Vague, que tratavam diretamente da guerra da Argélia: Le Petit Soldat, de Godard e Muriel, de Resnais.
De fato, ao largo de uma tentativa de adaptação, todas estas obras emergem em Beau Travail servindo à nobre causa inspiradora, mas também como estruturas de base, instâncias organizadoras da narrativa e indicadores de leitura para um filme que parece em princípio tão desligado da experiência contemporânea quanto a própria Legião Estrangeira, que lhe serve de palco, de tema, de obsessão.
A referência ao filme de Godard é evidente na presença de Michel Subor como o capitão Bruno Forestier (personagem homônima do protagonista de Le Petit Soldat), a cujo passado brilhante, mas obscuro, o sargento Galoup (Denis Lavant) alude em suas memórias como objeto máximo de devoção e respeito. Servindo como referencial histórico, na medida em que situa o filme como expressão unicamente possível do período pós-colonial, mas também como comentário ao atual estado de coisas do cinema francês (as bases da relação Galoup e Forestier / Lavant e Subor podem ser entendidas, por extensão, como uma proposta de diálogo vivo com a Nouvelle Vague), as remissões ao filme de Godard ampliam de forma considerável o campo de atuação de Beau Travail, elevando a condição de seu universo intimista e autocentrado à de consciência histórica e de declaração de princípios cinematográficos.
De Melville, Denis aproveita toda uma série de temas e situações: a coletividade organizada em oposição à figura do herói solitário, as condições adversas e o eterno conflito com a natureza, as obsessões românticas, o conflito na ordem simbólica entre destino e livre-arbítrio e uma melancolia latente. Sua inspiração, no entanto, sempre permanece livre e a recorrência destas figuras nem obedecem à lógica literária nem respeitam o estilo de Melville. Alguns procedimentos narrativos estão presentes, mas obedecem a uma ordem poética muito particular e essencialmente cinematográfica, como o tratamento brilhante dispensado à superposição de tempos (passado/presente, objetivo/subjetivo).
Beau Travail está mais próximo, na composição de seus ritmos sutis, da organização musical que da literária na maneira como soluciona o habitual impasse de dar forma cinematográfica à representação da memória; assim como seu tratamento do corpo e do espaço obedece mais às regras da dança (principalmente a contemporânea) que do teatro. Menos que um rompimento com as bases dramáticas recorrentes (no fim das contas, literatura e teatro são tão fundamentais na construção de seu universo poético quanto a música e a dança), a eleição destas categorias de expressão a um patamar tão significativo traz um quê de inusitado, mas também uma sede de experimentar e um respeito por seu objeto e, em última instância, pela forma cinematográfica que tanto falta nos cineastas contemporâneos (não apenas nos franceses, diga-se de passagem) e que insere Beau Travail na categoria tão rara de obra-prima.

Fernando Veríssimo
(Texto original: 
http://www.contracampo.com.br/22/bomtrabalho.htm)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Cineclube da Cinemateca: "Cupido é Moleque Teimoso" de Leo McCarey

Neste sábado, dia 22, o Cineclube da Cinemateca exibe "Cupido é Moleque Teimoso" de Leo McCarey dando sequência ao ciclo Cinema americano dos anos 30 que contará ainda com "Jesse James" de Henry King (29/08). Sempre com entrada franca!

Cineclube da Cinemateca apresenta:
"Cupido é Moleque Teimoso" de Leo McCarey

O casal Lucy (Irene Dunne) e Jerry (Cary Grant) levava uma vida feliz em Nova York, até que ambos começam a duvidar da fidelidade do parceiro. Isto ocorre por Jerry ter contado para a esposa que fez uma viagem até a Flórida, quando estava jogando pôquer com amigos. Então para disfarçar se bronzeou artificialmente, sem saber que na Flórida havia chovido sem parar. Quando retorna para casa ele descobre que Lucy está ausente e então ela aparece com seu professor de canto, Armand Duvalle (Alexander D'Arcy). Assim cada um achou que o outro estava sendo infiel e, após várias acusações, decidem se divorciar. Entretanto eles vão ficar numa espécie de "limbo", pois só em 90 dias o divórcio será homologado. Neste período eles passam boa parte do tempo criando pretextos para se encontrar, além de cada um fazer o possível para prejudicar os planos do outro em relação a novos pretendentes.

Serviço:
22 de agosto (sábado)
às 16h
Na Cinemateca de Curitiba (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 - 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Cineclube do Celin: “Gertrud” de Carl Theodor Dreyer


Gertrud, esposa de um aristocrata, vive um tedioso casamento e mantém paralelamente um relacionamento extraconjugal. Acreditando que assim, encontrará a fórmula do amor perfeito. Três homens (seu marido, um poeta e um pianista) a amam, mas nenhum deles seria capaz de colocar o amor acima de suas ambições materiais. Gertrud só aceitaria o amor nos seus termos, profunda sinceridade e total entrega.

Serviço:
dia 21/08 (sexta)
às 19h30
No Anfi 400 da UFPR
(Rua Dr. Faivre, 405 - Reitoria, Edifício Dom Pedro I, 4° andar)
ENTRADA FRANCA
                                         
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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Cineclube Sesi: "Bom Trabalho" de Claire Denis

Nesta quinta-feira, dia 20 o Cineclube Sesi exibe "Bom Trabalho" de Claire Denis dando sequência ao ciclo A arte do som que contará ainda com "O Conto da Princesa Kaguya" de Isao Takahata (dia 27). Sempre com entrada franca!

Cineclube Sesi apresenta: "Bom Trabalho" de Claire Denis


Galoup é oficial da Legião Estrangeira Francesa radicada no Golfo de Djibuti, onde comanda um grupo de jovens soldados em uma rotina de pesados exercícios diários e brincadeiras noturnas. Quando Sentain, um novo e bem-humorado recruta, junta-se ao grupo, Galoup logo se incomoda. Em pouco tempo, o jovem soldado passa a ser querido por todos e vira o preferido do comandante chefe, posição antes ocupada pelo oficial. Enraivecido, Galoup então arma um ardiloso plano para acabar com a carreira de Sentain.

Serviço:
dia 20/08 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
 

Realização: Sesi 
   
   (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

Carpenter vs. Hawks


O que primeiro chama a atenção em um filme de John Carpenter é a fluidez de sua narrativa, a precisão da sua composição de imagem e a fé num cinema antiliterário que se coloca diante de seu público simplesmente como imagem em movimento. Isto tudo ele foi buscar numa tradição de cinema americano praticado por Don Siegel, Samuel Fuller e, sobretudo, Howard Hawks. Um cinema cada vez mais incomum de se ver em qualquer lugar ("eu nasci com o timing errado", reclama um personagem em Assalto à 13 DP).
É Howard Hawks em especial que acabará servindo de inspiração para a obra que Carpenter vem desenvolvendo desde meados dos anos 70. Dele vem muito do estilo (a famosa direção invisível) e alguns dos temas que Carpenter retoma ao longo de seus filmes. Um mestre tanto nos filmes de aventura (Hatari), screwball comedies (Levada da Breca), faroestes (Rio Vermelho) ou policiais (Scarface), Hawks talvez seja o único cineasta que trabalhou com sucesso em todos os gêneros que fazem parte da tradição do cinema americano.
Dentro de uma obra tão rica, onde os filmes dialogam de tal maneira uns com os outros que se torna difícil destacá-los individualmente, dois deles, Onde Começa o Inferno (59) e Hatari (62), talvez possam ser vistos como filmes-sintese. Será justamente Onde Começa o Inferno que Carpenter buscará com mais freqüência como ponto de partida para seus filmes. Neste faroeste o xerife John T. Chance (John Wayne) tem que defender a delegacia de um numeroso bando que tenta salvar um criminoso. Mesmo em desvantagem ele recusará ajuda, mas acabará recebendo-a do mesmo jeito. No fim, põe a amizade pelo alcoólatra Dude acima do emprego, e arrisca-se a perder o prisioneiro para salvar a vida do amigo.
Daí nasceriam duas das características que marcam toda a obra carpenteriana: uma ética da relação com o outro e a necessidade de um grupo de pessoas se unirem quando colocadas diante de uma adversidade. Ambas já se insinuavam em Dark Star, estréia amadora de Carpenter, e se mostram com força total já em Assalto à 13 DP (76). Carpenter situou sua homenagem assumida a Onde Começa o Inferno numa velha delegacia semidesativada (ela está sendo transferida para um novo local), onde um policial novato, que cresceu nas imediações, terá de defender um desconhecido homem catatônico de uma interminável gangue, com a ajuda de dois prisioneiros e uma secretária. Rodado num momento em que Hollywood ia abandonando de vez este cinema classicista e preparava-se para entrar na era da superprodução, o filme reflete este momento de forma crítica. Contemporâneo de outros filmes com objetivos semelhantes como O Ultimo Pistoleiro de Siegel, No Mundo do Cinema de Bogdanovich e um pouco depois, Fedora de Wilder, a diferença é que Carpenter dialoga com este momento fazendo um filme no espírito de Hawks -- direto e a primeira vista sem grandes preocupações.
Não é a toa que mais do que em qualquer outro de seus filmes, emAssalto à 13 DP as relações humanas se definem sempre através do olhar, mas também pela ação -- já que como num filme de Hawks, é o que os personagens fazem e não o que dizem (ou se diz sobre eles), que definem quem eles são. Será através de um olhar que o criminoso Napoleon Wilson primeiro desconfiará que há algo que diferencia Bishop dos outros policiais que ele conheceu, mas será pelas suas ações que Bishop confirmará isto, salvando por duas vezes os prisioneiros, que outros não se preocupariam em salvar. Também será através da ação que Wilson, de quem se repete sempre se tratar de um prisioneiro perigoso a caminho do corredor da morte, provará seu valor ao assumir em igualdade com Bishop a liderança e a responsabilidade dentro da delegacia sitiada. Por fim, será outra troca de olhares seguida de uma ação que Bishop ao recusar algemar Wilson e a convidá-lo a sair lado a lado com ele, como um igual, devolve à dignidade ao prisioneiro e agora amigo, um momento hawksiano que não deixa de ser carpeteriano.
Assalto também desenvolve outras duas características carpenterianas que me parecem ter surgido com Hawks. A primeira é a dos personagens postos à margem da sociedade, localizados numa delegacia desativada de uma região de Los Angeles tão abandonada pela polícia local que esta não consegue localizar onde está ocorrendo o tiroteio do qual receberam diversas chamadas. Hawks gostava de colocar seus personagens como expatriados (como esquecer a verdadeira legião estrangeira de Hatari?), fechados em grupos específicos (os pilotos de Faixa Vermelha 7000) ou simplesmente perdidos num mundo que não conhecem (Cary Grant em Levada da Breca). Carpenter, ele próprio umoutsider, parece compreender esta característica como ninguém, transformando-a num sentimento de deslocamento e principalmente numa idéia de que as personagens precisam se unir e agir pelo que defendem.
A outra é a conjugação de gêneros cinematográficos. Hawks é o diretor que fazendo um musical ou uma ficção científica/horror os transforma primeiro num filme de Howard Hawks (e já não era Onde Começa o Inferno, além de um faroeste, uma comédia, um romance e um drama sobre alcoolismo?). Carpenter na aparência acabou ligado a um nicho de filmes de horror e/ou ficção cientifica, mas basta uma olhada atenta a eles para se notar como ele trabalha diversos gêneros em um filme só. Assalto à 13 DP é um filme policial, mas tem elementos do faroeste e dos filmes de horror; o novo Fantasmas de Marte (que retrabalha e aprofunda a relação Wilson/Bishop) mistura ficção científica, horror, faroeste e filmes policiais.
O seu único remake oficial de um filme de Hawks (O Monstro do Ártico, na verdade apenas uma produção de Hawks, mas cheia de sua personalidade), O Enigma do Outro Mundo leva muito do que Carpenter absorveu das relações humanas de Onde Começa o Inferno para uma discussão que me parece nortear muito da filmografia posterior do diretor. A crescente dificuldade das pessoas em confiar uma nas outras, refletida nos doze homens às voltas com um alienígena imitador (este uma presença constante nos filmes seguintes do diretor). Um filme amargo, mas esperançoso, muito incômodo na forma como implica o espectador no que narra. Dois anos depois o mesmo alienígena imitador reapareceria emStarman, mas ao invés da destruição, assumiria o corpo de um homem morto e em sua trajetória finalizaria o que o homem havia deixado pendente.
Seria limitador reduzir a influencia de Hawks em Carpenter apenas aOnde Começa o Inferno (assim como é limitador ver a obra de Carpenter como uma mera releitura de Hawks). Mesmo Snake Plinsken de Fuga de Nova Iorque, à primeira vista o menos hawksiano dos personagens de Carpenter, não está muito distante do aviador durão feito por Cary Grant em O Paraíso Infernal que no fim chora a morte do amigo. Afinal, quando Snake é posto diante do presidente não é por si, mas pelos que morreram na tentativa de salvá-lo, que o anti-herói pergunta. A construção de uma obra coerente e de grande respeito pelo que é humano, talvez seja o grande legado de Hawks a Carpenter.

Filipe Furtado
(Texto original: 
http://www.contracampo.com.br/35/carpenterhawks.htm)